Fundadores - Francisco Libermann

Fundador da Congregação do Espírito Santo e do Imaculado Coração de Maria

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Claudio PoullartOlá sou Francisco Libermann.

 

Jacob era o meu nome judaico. Fui o quinto filho do rabino Lázaro Libermann e de sua esposa Lia Haller. Nasci em Saverne (França) a 12 de Abril de 1802.

 

Era o filho predileto do meu pai, que via em mim o seu substituto à frente da Sinagoga local. Para isso, iniciou-me desde pequeno no estudo da Bíblia e do Talmud, enviando-me depois para Metz para prosseguir os estudos, mas agora a um nível superior.

 

Entretanto fui apanhado por uma terrível crise de fé - "caí numa espécie de indiferença religiosa, que, em poucos meses, me deu origem a uma total ausência de fé. Continuava a ler a Bíblia, mas com desconfiança; os milagres repugnavam-me; já não acreditava neles".

 

Neste contexto, não conseguia estudar, e pus a parte os estudos bíblicos e talmúdicos para me dedicar ao estudo de línguas profanas: francês, latim e grego.

 

Mas este desleixo pelo estudo da Bíblia e do Talmud chegou aos ouvidos do meu pai, que resolveu fazer-me um rigoroso exame sobre a matéria - o Talmud. Para meu espanto, dei-lhe sempre uma resposta rápida e clara às subtis perguntas que me fazia!

 

Até então, não acreditava em milagres, mas eis que agora um deles tinha acontecido comigo mesmo! Mas como o meu pai, naturalmente, ficou contente comigo, concedeu-me autorização para me deslocar a Paris.

 

Nesta cidade das Luzes, entrei em contato com um tal Paulo Drach, um judeu convertido ao cristianismo, que me levou a receber o Batismo na véspera do Natal de 1826. A partir daqui comecei a ser chamado de Francisco Maria Paulo Libermann. Pouco tempo depois entrei para o seminário (1827).

 

Na verdade o meu pai só soube da minha conversão um ano mais tarde. Foi então que ele me escreveu uma terrível carta amaldiçoando-me. Confesso que com tudo isto fui forçado a escolher, e optei por Jesus Cristo avançando para o sacerdócio.

 

Mas sabes o que me havia de acontecer na véspera de receber o Sub-diaconado, em 13 de Março de 1829: sofri um violento ataque de epilepsia, o que, na prática, significava a impossibilidade de avançar para a ordenação. Como imaginas, fiquei muito triste.

 

Os superiores do Seminário, constatada essa terrível doença, despediram-me e perguntaram-me se tinha para onde ir... “Sim, tenho – respondi – vou para a rua. E o Pai, que cuida dos passarinhos do céu, olhará por mim".
 
Esta minha resposta fez com que não fosse despedido, ficando responsável de pequenas tarefas serviçais (limpar as árvores do pomar e ajudar o ecónomo do seminário, executando as suas comissões e dos próprios seminaristas).

 

Depois, no verão de 1837, chamaram-me para Mestre de Noviços dos Eudistas, tarefa que desempenhei, apesar de contestado por alguns, durante dois anos: eu que não era religioso, estava formando religiosos; eu que era simples acólito, estava formando padres!

 

Além disso, foi durante este período que escrevi a maior parte das cartas de direção espiritual: dizem por aí que há cerca de 1800 dessas cartas nos arquivos da Congregação, mas parece-me que ter-se-ão perdido outras tantas!

 

Enfim, mais tarde fui contactado por dois seminaristas, provenientes das colónias francesas (Reunião e Haiti), para criar um projeto de evangelização dos escravos dessas ilhas. Começamos esse projeto com  o nome de OBRA DOS NEGROS.

 

Assim, a 3 de Dezembro de 1839 parti para Roma para submeter o projeto à Santa Sé. Aqui passei um ano, à espera de resposta. Foi uma peregrinação quase toda a pé. Mas foi na igreja de Nossa Senhora de Loreto que recebi o maior milagre: a cura da minha doença. Isto foi um marco histórico para mim.

 

Ou seja, já podia ser ordenado presbítero, o que aconteceu de imediato a 18 de Setembro de 1841, e nove dias depois abrimos o primeiro Noviciado da  nossa Congregação do Santíssimo Coração de Maria. Aqui preparamos bem os nossos missionários, mas não disponhamos de "campo" missionário. Foi então que surgiu a proposta de fazermos uma fusão com a Congregação do Espírito Santo. Isto aconteceu em 1848, o que permitiu ultrapassar uma grande barreira, e avançar na expansão missionária.

 

E muitas outras coisas se passaram durante os meus 50 anos de vida. Foi a a 2 de Fevereiro de 1852, ainda antes de ter completado 50 anos de idade, que Deus me chamou a Si.

 

Enfim, foram uns anos bem vividos e com muita animação missionária. Tudo fiz como sendo obra de Deus, deixando que depois de mim outros lhe dessem continuidade. E foi o que aconteceu. Hoje são cerca de 3000 os Missionários do Espírito Santo e do Imaculado Coração de Maria. Se quiseres também te podes juntar a eles. Vai! Verás que isso será muito interessante.

 

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